Os brasileiros têm uma expressão que utilizam quando querem dizer que as pessoas se dão bem e /ou bastante, que convivem muito, que é:" frequentar". "Flano tal e flano tal se frequentam muito".
Comigo também é assim. Sou muito frequentada. Mas por melgas, mosquitos e todo o tipo de parentes. Desconfio que aranhas também me mordem, sem que daí tenha resultado aquela habilidade simpática de conseguir disparar teias a partir do pulso. Há ainda a possibilidade de serem as formigas que me têm estado a invadir a casa. Ou uma hipótese mais óbvia, as pulgas dos meus gatos.
Não sei. De manhã, quando acordo, a cama está sempre limpa, sem vestígios dos banquetes e festins que por lá se passam. E, enquanto o meu namorado, que é muito maior que eu, e como tal tem muito mais matéria prima para oferecer - acorda sem uma única baba digna de se exibir, a minha realidade é bem diferente. Só hoje contabilizei: três babas na orelha esquerda, mais umas seis no pescoço, e outras tantas aleatoriamente espalhadas entre o dorso e as pernas.
Estou entregue à bicharada.
segunda-feira, agosto 16
segunda-feira, julho 19
O meu rabo sempre mereceu rasgados elogios. E a crítica sempre o tratou muito bem. Mas ontem fiquei verdadeiramente orgulhosa dele: foi a primeira vez que provocou um acidente!
Estava eu na minha vidinha, apoiada no carro e dobrada sobre as pernas a limpar a areia dos pés, quando oiço o som seco de um pára-choques a enfiar-se num poste. Espreito por trás do meu dérriere, e vejo ao volante um jovem - ladeado pelo seu co-piloto, sem suspeitar que ao olhar iria receber a sentença de culpada: "uma pessoa distrai-se e é isto"! - vociferou ele, na sua indignação resignadamente bem disposta. E lá seguiu. Amigos como dantes.
Entretanto passei para o banco da frente do carro, e contorci-me o mais que pude para me livrar do bikini e voltar ao soutien. Novo som. Novo condutor. Novo poste. No carro da frente, uma baixa de peso: o espelho esquerdo. Deus o tenha no céu. Mas desta vez, isenta de toda e qualquer culpa. Juro. A aselhice é que lhe levou a melhor.
De qualquer forma, pelo sim, pelo não, achei por bem não voltar a tirar peças de roupa nessa noite.
Estava eu na minha vidinha, apoiada no carro e dobrada sobre as pernas a limpar a areia dos pés, quando oiço o som seco de um pára-choques a enfiar-se num poste. Espreito por trás do meu dérriere, e vejo ao volante um jovem - ladeado pelo seu co-piloto, sem suspeitar que ao olhar iria receber a sentença de culpada: "uma pessoa distrai-se e é isto"! - vociferou ele, na sua indignação resignadamente bem disposta. E lá seguiu. Amigos como dantes.
Entretanto passei para o banco da frente do carro, e contorci-me o mais que pude para me livrar do bikini e voltar ao soutien. Novo som. Novo condutor. Novo poste. No carro da frente, uma baixa de peso: o espelho esquerdo. Deus o tenha no céu. Mas desta vez, isenta de toda e qualquer culpa. Juro. A aselhice é que lhe levou a melhor.
De qualquer forma, pelo sim, pelo não, achei por bem não voltar a tirar peças de roupa nessa noite.
segunda-feira, maio 10
terça-feira, abril 13
domingo, abril 4
almoço de páscoa
40 minutos de atraso - isenta de culpa. um pai danado porque o cabrito já tinha esgotado - o pai funciona muito com as glândulas salivares. a mesa virada para a porta, com corrente de ar fresquinha a dar no garganedo inflamado - mesmo como se gosta. a madrinha do ex namorado do sul ali sentada à mesa connosco - uma cena altamente surreal e improvável. uma jóia de moço, diz ela. que não sai à víbora da mãe, a comadre com quem já não se dá. não sabia. que ele está gordo. isso já eu sabia. a amiga solteirona da mãe. a mãe em si. um irmão com um olho negro porque na noite de véspera andou ao pêro na kapital - o resultado salda-se contudo positivo: facturou 3 gajas e agarrou-se a outras tantas. um bife de 3 metros, que não é só a sexta que é santa. a gula também. barulho como música de fundo. graças a deus há televisão. estaciono por lá o olhar e tranco os ouvidos no sótão enquanto deixo o pai fazer queixinhas nossas à madrinha do ex, que não sei onde estava com a cabeça, quando se lembrou de deixar o seu solarengo t2 no estoril para se vir juntar a esta desfuncional família para almoçar. e daí talvez estivesse nisto: as fotografias do último casamento a que foi - anda com elas na mala, como quem não quer a coisa. casamento de uma amiga na casa dos 60's e muitos que recasou com senhor na casa dos 70's e troca o passo. conheceram-se no cemitério - os jazigos da família são um ao lado do outro. está certo. o amor tem destas coisas. fúnebres. e a colectividade tem bailes ao domingo. não frequenta cemitérios com tanta assiduidade, mas para todos os efeitos também está viúva. cá fora, o sol. 20 metros à direita, o primeiro rapaz que beijei - precisamente a 2,50 metros para a esquerda do local onde me encontro. por baixo do coreto, onde, precisamente, a 20 cm da minha cabeça, lhe vi o rabo pela primeira vez. bons tempos esses.
domingo, março 21
domingo, fevereiro 14
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