domingo, outubro 25

Viver com o meu pai, trabalhar com ele e ter de simultaneamente lavar-lhe as cuecas, está a pôr-me doida!!

quinta-feira, outubro 22

e é isto. sem um aviso prévio ou um bilhete postal, as pessoas morrem sem sequer se despedirem.
haverão
queijadas de cenoura com chocolate para onde ele foi?

sexta-feira, outubro 9

Pronto...

já me sinto muito melhor! obrigado zara, stradivarius e berska, ou vá, já que estou nisto, obrigada inditex!

quinta-feira, outubro 1

Emanuel

Trato-o por você. "Bom dia, diga." E ele também não se descai. "Um café".
Hoje, ao devolver-lhe o troco, a sua mão sapuda roçou na minha. Era macia.
O Emanuel foi meu vizinho. É um homem não bonito, mas talvez exagere se disser que é feio. Nunca gostei dele. Achava-o parvo. Muito parvo. E herdou dos pais a antipatia congénita. Terá pelo menos mais uns 7 anos que eu. Talvez mais. Acho que tem uma filha. Nunca vi. E namora uma brasileira.
Tem a mania de se sentar ao balcão. Fica ali pertinho. Mesmo quando vai buscar o jornal do dia para ler. Irrita-me.
Volta não volta, resolve chegar mesmo quando decido ir tomar o pequeno almoço, e senta-se frente à minha caneca de capuccino que fumega no mesmo compasso em que o meu estômago ronca. E o cretino ali, demorando-se.
Ás vezes, só para o destabilizar tenho vontade de lhe dizer:" escuta lá, sabes que a tua foi a primeira pila que vi?" E foi. Estávamos todos cá fora a brincar. O Emanuel trazia uns calçoes brancos. Armado ao pingarelho resolve empoleirar-se no muro. Preguiçoso, nem vestira cuecas. A dita esgueirou-se para fora, como que a espreitar o mundo.
Aos cinco anos de idade fui confrontada com aquela visão horrorosa. Primeiro ri-me - como os outros, perante o espectáculo de marionetes forçado. Mas lembro-me bem: achei-a feia. Pedaço de carne mal amanhado. Depois fiz um esgar de nojo pior ao que fazia sempre que a minha mãe me dava grão cozido ao almoço. Com bacalhau.
Entretanto, cresci. E algumas coisas mudaram.
O Emanuel, nem por isso.

quarta-feira, setembro 30

quarta-feira, setembro 23

A Bola

Ao contrário da maior parte das mulheres que se queixam de que os seus respectivos ligam mais a um esférico do que a elas, eu não tenho problemas nenhuns com isso.
Rio-me imenso com os disparates que ele grita para o televisor, ou como se revolta ao ver programas desportivos. Gosto que vá à bola com os amigos ou que jogue de vez em quando ao fim de semana. Acho saudável. E sinceramente, antes preste atenção a um só esférico, que a dois metidos em soutien alheio.

Quanto a mim, desde pequena que o som de um relato de futebol me acalma. Não tanto dos nervos, mas é um som familiar, confortável. Adormeci vezes sem conta em casa de um amigo do pai, quando ele ia para lá ver a bola. E apesar de ter um irmão mais novo, sempre fui eu a ver a bola com o meu pai. Desde pequena que me sentava ao lado dele no sofá e o ouvia tecer comentários apaixonados na direcção da caixa luminosa que mudou o mundo. Ainda hoje sou eu quem vê os jogos da selecção com ele. E que, como ele, vocifera impropérios aos jogadores.

É isso, gosto de ouvir a bola. Só não consigo passar a ser do sporting de alma e coração, como o meu homem desejaria. Simpatizo com a causa leonina, mas dá-me infinitamente mais prazer fazer pirraça com ele.