quarta-feira, setembro 30

quarta-feira, setembro 23

A Bola

Ao contrário da maior parte das mulheres que se queixam de que os seus respectivos ligam mais a um esférico do que a elas, eu não tenho problemas nenhuns com isso.
Rio-me imenso com os disparates que ele grita para o televisor, ou como se revolta ao ver programas desportivos. Gosto que vá à bola com os amigos ou que jogue de vez em quando ao fim de semana. Acho saudável. E sinceramente, antes preste atenção a um só esférico, que a dois metidos em soutien alheio.

Quanto a mim, desde pequena que o som de um relato de futebol me acalma. Não tanto dos nervos, mas é um som familiar, confortável. Adormeci vezes sem conta em casa de um amigo do pai, quando ele ia para lá ver a bola. E apesar de ter um irmão mais novo, sempre fui eu a ver a bola com o meu pai. Desde pequena que me sentava ao lado dele no sofá e o ouvia tecer comentários apaixonados na direcção da caixa luminosa que mudou o mundo. Ainda hoje sou eu quem vê os jogos da selecção com ele. E que, como ele, vocifera impropérios aos jogadores.

É isso, gosto de ouvir a bola. Só não consigo passar a ser do sporting de alma e coração, como o meu homem desejaria. Simpatizo com a causa leonina, mas dá-me infinitamente mais prazer fazer pirraça com ele.

segunda-feira, setembro 14

No outro dia, uma amiga de outros tempos, veio falar comigo no msn. A janela pisca e eu sinto-me logo meio culpada. "Bolas que nunca mais lhe disse nada". "Bolas que nunca me lembro (ou será apetece?) de meter conversa com ela quando a vejo por aqui".
Conversa puxa conversa, pergunta-me como vai a vida, a família, o cão, o gato e as formigas do quintal, e eis que chega ao ponto da conversa que verdadeiramente lhe interessa e que me relembra imediatamente a razão pela qual eu já não lhe ligo nenhuma: "então e ouve lá, por acaso não queres comprar uma bimby, tu que cozinhas mal como ó raio? é que eu agora estou a vendê-las. não? mas se quiseres já sabes, fala comigo primeiro!"
Tsc, é caso para dizer: que amiga da bimby que tu me saíste!!!

sexta-feira, setembro 4

Hoje tive de ir ao banco. Calças rasgadas, alça do soutien à mostra e cabelo que não vê champô há três dias - lá fui eu, falar com o meu gestor de conta sobre uma conta poupança que tenho, e fingir durante 30 min que percebo de facto alguma coisa do que ele me está a dizer.

Eu sou muito básica nesta coisa de bancos. Faço transferências bancárias, deposito dinheiro, pago coisas. Mas quando me tentam falar daquilo que no fundo são os produtos deles e que eles comercializam, e me começam a falar de taxas euribor, spreads, ou percentagens assim ou assado, ponho me em modo boi a olhar para um palácio. Pior mesmo, só quando juntam a isso, as contas. Que com esta percentagem fico com x, e ganho mais y. É que eu tenho 25 anos mas ainda conto pelos dedos da mão.

No que depender de mim, o papelinho que assinei hoje tanto pode querer dizer que mudei o pouco dinheirinho que tenho para uma nova aplicação, como pode querer dizer que o acabei de dar ao dito gestor de conta. Não faço ideia. Enquanto ele fala e enquanto eu não percebo nada só quero mesmo é voltar a ver a porta da rua.

quarta-feira, setembro 2

Esta semana está a correr-me de feição.
Apanhei um escaldão como há anos não apanhava. Estou com um torcicolo. E hoje espetei-me da cadeira, batendo fervorosamente com o cotovelo e o joelho na parede.
Mal posso esperar pelos próximos dias.

domingo, agosto 9

Engate ecológico


Eu: luvas de cozinha, balde do lixo na mão, junto ao ecoponto.
Ele: em trajes de quem vai para a praia, toalha ao ombro. Vira-se e diz: "então, muita reciclagem?"
Eu, em pensamento: wtf?!!

terça-feira, julho 28

Tenho impressão que o alemão gosta de mim. Ele confunde-me toda, baralha-me. Tolda-me o pensamento. É que estou há 5 minutos na Natura com uma das empregadas a olhar para mim e a sorrir-me imenso, e eu não faço a mínima ideia de onde conheço a tipa. É certo, de vez em quando ao fazer refresh à massa verde e bolorenta que compõe o meu cérebro, uma resposta parece surgir, mas depois, nada - branca total novamente. Será uma cliente minha? Deve ser isso. Se calhar conhece-me daí, não sei. Mas não saber se é, ou não, é uma sensação terrível. Sinto-me parva.

Pergunto-me, será que isto também se passa com as putas? Do género, vão na rua e um tipo sorri-lhes, acenas-lhes e os etc's todos. Será que ela se lembra? será que sabe sempre quem já frequentou a sua superfície comercial? É tramado...