sexta-feira, outubro 9

Pronto...

já me sinto muito melhor! obrigado zara, stradivarius e berska, ou vá, já que estou nisto, obrigada inditex!

quinta-feira, outubro 1

Emanuel

Trato-o por você. "Bom dia, diga." E ele também não se descai. "Um café".
Hoje, ao devolver-lhe o troco, a sua mão sapuda roçou na minha. Era macia.
O Emanuel foi meu vizinho. É um homem não bonito, mas talvez exagere se disser que é feio. Nunca gostei dele. Achava-o parvo. Muito parvo. E herdou dos pais a antipatia congénita. Terá pelo menos mais uns 7 anos que eu. Talvez mais. Acho que tem uma filha. Nunca vi. E namora uma brasileira.
Tem a mania de se sentar ao balcão. Fica ali pertinho. Mesmo quando vai buscar o jornal do dia para ler. Irrita-me.
Volta não volta, resolve chegar mesmo quando decido ir tomar o pequeno almoço, e senta-se frente à minha caneca de capuccino que fumega no mesmo compasso em que o meu estômago ronca. E o cretino ali, demorando-se.
Ás vezes, só para o destabilizar tenho vontade de lhe dizer:" escuta lá, sabes que a tua foi a primeira pila que vi?" E foi. Estávamos todos cá fora a brincar. O Emanuel trazia uns calçoes brancos. Armado ao pingarelho resolve empoleirar-se no muro. Preguiçoso, nem vestira cuecas. A dita esgueirou-se para fora, como que a espreitar o mundo.
Aos cinco anos de idade fui confrontada com aquela visão horrorosa. Primeiro ri-me - como os outros, perante o espectáculo de marionetes forçado. Mas lembro-me bem: achei-a feia. Pedaço de carne mal amanhado. Depois fiz um esgar de nojo pior ao que fazia sempre que a minha mãe me dava grão cozido ao almoço. Com bacalhau.
Entretanto, cresci. E algumas coisas mudaram.
O Emanuel, nem por isso.

quarta-feira, setembro 30

quarta-feira, setembro 23

A Bola

Ao contrário da maior parte das mulheres que se queixam de que os seus respectivos ligam mais a um esférico do que a elas, eu não tenho problemas nenhuns com isso.
Rio-me imenso com os disparates que ele grita para o televisor, ou como se revolta ao ver programas desportivos. Gosto que vá à bola com os amigos ou que jogue de vez em quando ao fim de semana. Acho saudável. E sinceramente, antes preste atenção a um só esférico, que a dois metidos em soutien alheio.

Quanto a mim, desde pequena que o som de um relato de futebol me acalma. Não tanto dos nervos, mas é um som familiar, confortável. Adormeci vezes sem conta em casa de um amigo do pai, quando ele ia para lá ver a bola. E apesar de ter um irmão mais novo, sempre fui eu a ver a bola com o meu pai. Desde pequena que me sentava ao lado dele no sofá e o ouvia tecer comentários apaixonados na direcção da caixa luminosa que mudou o mundo. Ainda hoje sou eu quem vê os jogos da selecção com ele. E que, como ele, vocifera impropérios aos jogadores.

É isso, gosto de ouvir a bola. Só não consigo passar a ser do sporting de alma e coração, como o meu homem desejaria. Simpatizo com a causa leonina, mas dá-me infinitamente mais prazer fazer pirraça com ele.

segunda-feira, setembro 14

No outro dia, uma amiga de outros tempos, veio falar comigo no msn. A janela pisca e eu sinto-me logo meio culpada. "Bolas que nunca mais lhe disse nada". "Bolas que nunca me lembro (ou será apetece?) de meter conversa com ela quando a vejo por aqui".
Conversa puxa conversa, pergunta-me como vai a vida, a família, o cão, o gato e as formigas do quintal, e eis que chega ao ponto da conversa que verdadeiramente lhe interessa e que me relembra imediatamente a razão pela qual eu já não lhe ligo nenhuma: "então e ouve lá, por acaso não queres comprar uma bimby, tu que cozinhas mal como ó raio? é que eu agora estou a vendê-las. não? mas se quiseres já sabes, fala comigo primeiro!"
Tsc, é caso para dizer: que amiga da bimby que tu me saíste!!!

sexta-feira, setembro 4

Hoje tive de ir ao banco. Calças rasgadas, alça do soutien à mostra e cabelo que não vê champô há três dias - lá fui eu, falar com o meu gestor de conta sobre uma conta poupança que tenho, e fingir durante 30 min que percebo de facto alguma coisa do que ele me está a dizer.

Eu sou muito básica nesta coisa de bancos. Faço transferências bancárias, deposito dinheiro, pago coisas. Mas quando me tentam falar daquilo que no fundo são os produtos deles e que eles comercializam, e me começam a falar de taxas euribor, spreads, ou percentagens assim ou assado, ponho me em modo boi a olhar para um palácio. Pior mesmo, só quando juntam a isso, as contas. Que com esta percentagem fico com x, e ganho mais y. É que eu tenho 25 anos mas ainda conto pelos dedos da mão.

No que depender de mim, o papelinho que assinei hoje tanto pode querer dizer que mudei o pouco dinheirinho que tenho para uma nova aplicação, como pode querer dizer que o acabei de dar ao dito gestor de conta. Não faço ideia. Enquanto ele fala e enquanto eu não percebo nada só quero mesmo é voltar a ver a porta da rua.

quarta-feira, setembro 2

Esta semana está a correr-me de feição.
Apanhei um escaldão como há anos não apanhava. Estou com um torcicolo. E hoje espetei-me da cadeira, batendo fervorosamente com o cotovelo e o joelho na parede.
Mal posso esperar pelos próximos dias.