quarta-feira, dezembro 30

O ano defunto

- Ainda não foi desta que me espetei de carro - embora tenha imenso jeito para isso, ou vá lá, algum potencial. Mas no início do ano tive mesmo quase quase. Filho da puta do ângulo morto.
-
Fiz dois cursos de escrita criativa, mas ao invés de um convite para a fama e o estrelato em particular, tudo o que consegui foi um possível convite para ir trabalhar para torres vedras. mérito não do engenho com a pena, mas do meu ar responsável - que aliás consegue enganar muita gente, mas como o convite não se concretizou, secalhar não enganou o suficiente.
-
Visto que fui 3 vezes ao teatro e umas outras 3 vezes a concertos de música clássica em que as bandas já não se podem chamar bandas, mas sim orquestras, este foi um ano de alguma cóltura!! Aliás muita cóltura, porque criei este mimo de blog, que é mais um claro e evidente sinal de toda a minha cóltura. (é tanta a cóltura que o blogger achou por bem evidenciar esse facto e não me deixa agora tirar o bold disto, está bem, assim seja).
-
Ainda na senda da cóltura, este ano vi alguns clássicos e revi outros: grease, tal canal, o padrinho, o sentido da vida dos monthy, etc. E fui também a museus - só porque sim, e fica sempre bem.
-
A minha avó que é uma velha gaiteira e não pode ver nada, para não ficar atrás da ana maria lucas, decide também ela ter um avc. por causa disso, a minha mãe regressa à terrinha, aí permanecendo grande parte do tempo que vai de abril até novembro. e eu, com isto tudo, vi-me a braços com o ter de lavar as cuecas sujas do meu pai, e com um curso avançado em ferro de engomar 3.
- Fui a dois casamentos. E duas foram também as vezes que cortei o cabelo este ano, nada mau.
- Fui pela primeira vez à bola e senti-me na pele de um míope em estado avançado - nunca percebia onde andava a bola, e no que dependesse de mim, tanto podia ser um homem a chutá-la, como uma hiena no cio - porque eu de qualquer forma, não via um boi.
- A minha mãe virou sexagenária mas eu é que comprei o meu primeiro creme anti rugas.
- A nível de animais não foi um ano fácil: atropelei um gato de rua (não morreu, mas ainda assim, que grande foda-se) e perdi uma gatinha cá de casa, que estúpida como tudo me decide fugir frente à porta do veterinário (volta para casa imediatamente sua parva, ou achas que na rua ha whiskas saquetas?), e ainda apanhei um susto enonorme com uma das minhas cadelas, que ficou muito doente de repente, forçando-me a levá-la de urgência ao vet. (só rugas de desgostos e preocupações. note to self: reforçar o anti-rugas)
- Apanhei o maior e mais estúpido escaldão da minha vida (note to self: reforçar à grande o creme anti-rugas).
- Chique que sou, este ano andei por tróia de catamaran, comi fondue de carne e peixe cozinhado em vinho, fui de férias a Sevilha, e passei um fim de semana num bungalow supé catita e móderno!
- Foi um ano de muitos elogios, elogios de clientes, elogios ao meu trabalho, elogios de admiradores, elogios. e foi um ano em que de muitas formas vi reconhecida em mim, capacidades várias, e senti que posso fazer a diferença nos sitíos por onde passo, e isto é para lá de bom, é óptimo.
- Voltei a andar de bike este ano, e sem tralhar nenhuma vez! Já me tinha esquecido o quão fixe é andar de bike.
- Fiz topless - mas só para um casal de alemães.
- Estou mais rica um amigo.
- Para além do casal de alemães andei também a mostrar as mamocas à moçoila que trabalha no spa, sim que eu fui a um spa este ano!
- O meu festival de verão este ano só aconteceu em dezembro: super bock em stock, e gostei muito do que fui ver.
- Voltei a tentar aquilo do peixe cru, mas esta religião ainda não me conseguiu convencer.
- Este ano dei prendas à família toda, comprei pai natal e restante bonecada.
- E vi-me perseguida pela polícia - a culpa não foi minha, era o meu irmão que estava a conduzir!

sábado, dezembro 26

sexta-feira, dezembro 18

People are like wardrobes


De cada vez que tento arrumar o meu guarda-roupa na tentativa de eliminar aquilo que já não uso, debato-me com o mesmo problema: o que deixar de fora?

Tenho peças com mais de 10 anos que não consigo eliminar nem por nada. Essencialmente por motivos práticos: continuam úteis.

Tenho outras que quase nunca uso, mas que teimo em achar que lhes posso dar uma segunda oportunidade, que às vezes chega, e às vezes não.

Vergonhosamente também tenho nos meus cabides peças por estrear, momentos de encantamento têxtil à frente de um espelho num provador de loja, em que se trocam juras de amor e instruções de lavagens, murmuram-se "faço-te e aconteço-te's", mas que depois não passam disso. São paixões crónico-platónicas: só sobrevivem atrás de biombos (graças a Deus ontem tive juízo e não comprei aquela mini-mini saia que vi na Zara, e que provavelmente não usaria em mais lado nenhum, a não ser para ir do quarto até à casa de banho, embora, diga-se em sua defesa, me ficava deveras bem).

Agora roupa que nunca usei, recuso-me a dar. Tenham lá paciência! Vejo a coisa mais ou menos numa lógica de amortização do custo, isto é, se compro um casaco e ele me custa 50€, basta que o use duas vezes e é como se passasse a ter custado só 25€ e por aí adiante. Estúpido? Talvez, mas também não é para ter lógica.

A roupa reflecte a nossa personalidade. É uma extensão de nós próprios. Normalmente é nos apontado um determinado estilo - ou falta dele, tal como nos é apontada uma determinada maneira de ser. Somos um aglomerado de vivências que têm ligação directa para as nossas gavetas e armários.

Exemplo? Tenho um red hot dress, de costas abertas à espera de ser usado - e que há pouco tempo seria incapaz de comprar, quanto mais usar, e por outro lado continuo a usar um casaco de malha largueirão e velho que era da minha mãe. Meaning? Que me tenho sentido progressivamente melhor na minha pele, mas que ainda escondo e protejo bastante.

Parte da roupa que tenho há 10 anos reflecte traços de personalidade que mantenho. Parte da roupa nova que tenho, reflecte aquilo em que me estou a transformar, e aquela roupa que uso e re-uso vezes sem conta representa as minhas principais características.

Próxima compra? Galochas. Quero expressar a minha comicidade em borracha.



segunda-feira, dezembro 14

Ao início, a neura é um bicho inofensivo. Fofo até. Não faz mal nenhum e até lhe achamos alguma piada, embora saibamos que não serve rigorosamente para nada a não ser, quanto muito, para fazer vista, ou uns truques engraçados.

Ao início a neura é isto:

E ninguém tem medo disto. Todos se atrevem a fazer umas festinhas e a passar a mão pelo pêlo. O costume.

Mas se lhe juntarmos uns ingredientes, por exemplo, uma tpmzinha inofensiva, um frio de rachar que nos faz duvidar da sanidade mental daqueles tipos, os esquimós, uns planozecos assim importantes sairem furados, aquele mail que não chega, um namorado que nos vem dizer que andou a sonhar com a ex, e sei lá, a convivência diária familiar, a neura é bichinho para ficar assim:



Ou seja, ligeiramente maior, e já a meter mais nojo que outra coisa. Mas ainda assim, a neura é passível de ser acarinhada e alimentada, de continuar sempre a crescer, até, qual balão, voar sem rumo e ir embater na parede ou poste mais próximo.

Agora, como gaja altamente evoluída que sou, e sem recurso a livros de auto-ajuda, o que ando a tentar fazer com toda esta neura e depressão mal cheirosa que se apoderou de mim, é , em vez dela me transformar nisto:

Passar eu antes a tirar partido dela. Usando-a eu a ela, ao invés de deixar que ela se apodere de mim. E sempre, sempre, em grande estilo.



sexta-feira, dezembro 11

a burocracia no reino dos céus

metidos que estão os papéis para a minha felicidade e a mesma há dias sem me ser entregue.